terça-feira, 19 de julho de 2011

SMS

Há uma moça
que veio caminhando
com passos de silêncio e olhos de sorriso.

Através de um tempo
sem ontem nem amanhã,
assim como a lua em seu destino.


Assim como a lua em seu destino,
raiou um amor em mim.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma defesa (quase) científica da utopia



Há de se ter uma parcela de ilusão em nossas vistas?
Curto circuito entre a nossa imensa finitude
E o eterno e o infinito?
Entre o “Isso”[i] e o eu?
Sempre?

Sim.
Há!
Sempre!

A maioria, por exemplo, se ilude
Dedicando-se mais ao trabalho do que ao amor...
Um percentual muito elevado deposita todas as suas ilusões
no mercado futuro da Divina Providência.
E há os plenamente satisfeitos:
os plenamente iludidos.

Sem ilusões,
Teríamos uma humanidade suicida;)

Como lustrar, então, nossas ilusões,
para que brilhem?

Utopia.

As horrendas paranóias
de um Hitler, de um Ford, de um Geisel...
e de outros stálines, híteleres, fórderes, gáiseles...
fazem parte da entropia[ii],
não são utopia.

A utopia tem forma de flor e
cheiro de sereno.
Sempre será abraço, cantiga, cafuné.
Substituamos a ilusão pela utopia!
Utopia ou Barbárie!


[i] Id – Freud.
[ii] Perda de energia; nesse caso histórica-humana. Anti-utopía.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Negro é inspiração (Prêto di Maria)

Ensaio fotográfico da querida Maria Buzanovsky - de criolhos azuis, onde contribuí com um poema. Com a voz não sei se contribuí...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Poema Concreto

                                                                         Aos concretistas...

Não há maior,
mais poética declaração de amor
a uma mulher
do que roubá-la do marido.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Compota


Com seus mels,
Contornos,
Entrâncias e reentrâncias,
Peles, carnes... dorso.
Explosões de riso, ciúmes, prazer...

Faço uma compota de você.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Prêto di Maria

                       Aos prêtos olhos azuis di Maria                    
 
A câmara escura,
trás as lentes azuis de olhos Maria,
revela o prêto.

Como se cruzasse, de novo,
um misterioso Atlântico,
o prêto,
chega antigo e futuroso
retido nas lente-retina di Maria.

E é luz que reluz
do prêto que nunca é escuro.
Da melanina
de película onde se retiveram histórias
açoites, suores
abraços e batuques.

Vêem-se,
nos criolhos azuis de Maria,
almas cólor-incolores
Dores e amores,
Saudades,
ressoarem segredos.

E lua após lua,
em ginga de tambores.
Num furdunço de horizontes e Orixás.
Maria trocou olhares
(fez a muda).
Trocou olhos por alma.
Azul por prêto...
Empreteceu. Denegriu.

Repercutiram, então, catástrofes.
Misérias cravadas em cicatriz,
noites mal dormidas,
galeras, canhões
refletiram nos prêtos olhos azuis di Maria...

Que chorou fotografia.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Psicografando Castro Alves no dia de seu nascimento ou Brincadeira

Chuva incógnita que desce do além,
que estropia o passo que eu lançava adiante.
Mas que é doce, mansa e serena e vem
Beijar-me a galope, inda ofegante.

Sob escombros de dilemas ancestrais,
porcelana d’um riso aberto e oculto.
Casa abandonada, olhos de vitrais,
joelhos feridos de tropeço e insulto.

Quimera de tristeza e gargalhada.
Um canto de mil anos vem no vento,
torna nossa mão esgrima estabanada.

Faz dos nossos males de fel, ungüento.
Jorra sonhos em sangria desatada.
Será que essa explosão no peito agüento?

domingo, 13 de março de 2011

Invocação

Um meu aluno no refeitório:
- Professor, sou invocado com eletricidade. Tenho invocação para eletricista.

Invocado pra poesia esse emigrante do Maranhão.

Invocou uma ideia-palavra nova.
Misturou dom e súplica e obstinação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Lugar incomum

Ocupar os lugares comum
Entorná-los comum.
Incomudá-los.
Mundar os lugarescomum
Excomungá-los.

Que a palavra “crítica”
Volte a ser raio e trovão.
E a palavra “amor”
Silêncio.

Fortuna, riqueza, valor
Imprescindíveis palavras
Dispam-se de toda usurpação e pobreza.

Que abraço seja abraço,
perdão perdão
miséria miséria.

Que a palavra relativo
Volte a ser transitiva indireta
Não absoluta.

Que nunca se perca o rebolado sacana
Ou a cor amarga e cêca que tém todas as palavras
Como o furdunço ou a morte.

Mancomunemos-nos lugarescomum.


quarta-feira, 2 de março de 2011

Fazer-se da Classe Operária

                                               E.P. Thompson com Manoel de Barros

 A classe
se ensimesma
quando
se em si
faz.

terça-feira, 1 de março de 2011

Conselho de meiofío

À moda do Caso do Vestido do Carlos maior


Ao homem completo e frio e conformado,
perguntou o incompleto e venturoso homem e humilde?

 – Quede sonhos de criança?
Quede loucas aventuras?
Quede passos no escuro?
Quede tórridos amores?
Quede marcas no joelho?
Quede alguém a te esperar?
Quede ternura?
Quede desespero?
Quede nu e fantasia?
Quede os piores tormentos?
Quede noites em claro?
Quede surras e fracassos?
Quede ternura? Quede Ternura?

Sem mais,
entediado,
dando as costas,
já caminhava, pedregoso e completo, o homem.
Enquanto o outro,
sorria ternamente,
sentado no meiofío.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Amargôce o que era doce ou Poema de véspera


O que era riso
Zangôce.
O que era tanto
Apocôce.
O que era abraço
Afastôce.

O que nem era
Tornôce.

Amargôce
O que era doce.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A que ri

Que barômetros
que medidas
que compassos
podem medir o embalo,
os enleios,
do riso da moça que ri?

Quantos mistérios
quantos naufrágios
quantos tesouros
esconde a moça ali?




P.S. Se eu pudesse
        eu passava duas tardes,
inteirinhas,
        pescando sorrisos da moça
        e caindo de beijo encima.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sobre o medo


A Torquato Neto


São infinitas as direções
E mesmo os nortes são muitos.

Bifurcações
Encruzilhadas

De qualquer forma
Caminharemos pouco.

Quantas Cidades?
Quantos amores?

Apenas.

O medo é o principal inimigo dos viajantes.