E.P. Thompson com Manoel de Barros
A classe
se ensimesma
quando
se em si
faz.
quarta-feira, 2 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Conselho de meiofío
À moda do Caso do Vestido do Carlos maior
Ao homem completo e frio e conformado,
perguntou o incompleto e venturoso homem e humilde?
– Quede sonhos de criança?
Quede loucas aventuras?
Quede passos no escuro?
Quede tórridos amores?
Quede marcas no joelho?
Quede alguém a te esperar?
Quede ternura?
Quede desespero?
Quede nu e fantasia?
Quede os piores tormentos?
Quede noites em claro?
Quede surras e fracassos?
Quede ternura? Quede Ternura?
Sem mais,
entediado,
dando as costas,
já caminhava, pedregoso e completo, o homem.
Enquanto o outro,
sorria ternamente,
sentado no meiofío.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Amargôce o que era doce ou Poema de véspera
O que era riso
Zangôce.
O que era tanto
Apocôce.
O que era abraço
Afastôce.
O que nem era
Tornôce.
Amargôce
O que era doce.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A que ri
Que barômetros
que medidas
que compassos
podem medir o embalo,
os enleios,do riso da moça que ri?
Quantos mistérios
quantos naufrágios
quantos tesourosesconde a moça ali?
P.S. Se eu pudesse
eu passava duas tardes,
inteirinhas,
pescando sorrisos da moça
e caindo de beijo encima.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Sobre o medo
A Torquato Neto
São infinitas as direções
E mesmo os nortes são muitos.
Bifurcações
Encruzilhadas
De qualquer forma
Caminharemos pouco.
Quantas Cidades?
Quantos amores?
Apenas.
O medo é o principal inimigo dos viajantes.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Música da música
Os acordes maiores
São como o ar idiota das flores.
Os acordes menores com sexta,
Se entre si,
Intercalados,
Soam suspense.
Lá e mi,
São bons à toa de dizer.
As diminutas,
De tom e meio e meio e tom,
Se repetem,
Secretamente.
Os acordes
Setimononados
Raiam outros acordes.
A palavra música
É menos musical que
Music.
Já, musical é mais que
Musical.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Saudade?
Se eles somem
e vão;
nos dessobedecem.
Se se perdem pela mãos.
Desaparecem,
no espelho,
na poeira,
quando nós também insistimos em partir.
Dessa perda,
Fonte e motivo verdadeiro desse descaminho insistente,
desse sempre fazer amigos e amores
que a humanidade vem repetindo desde sempre:
medo da saudade?
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Pecado
“Pecado?!?,
Pecado é roubar e não poder carregar.”
Três corações que eu roubei caíram do balaio.
Sem concerto.
domingo, 14 de novembro de 2010
África
De AIDS e solidão,
morre a África.
Morre de colonização.
Em guerra morre a África,
nosso povo pai e irmão.
De Apartheid e ONGs,
morrem os pretos,
da peste negra da fome.
Morrem de minas
de diamante, de explosão.
Em guerra morre a África,
nosso povo pai e irmão.
E é pus que verte
as tetas murchas e quebradas.
É pus,
que desmoraliza os Carpaccios,
os sorrisos,
o sistema de nações.
De Apartheid e ONGs,
morrem os pretos,
da peste negra da fome.
Morrem de minas
de diamante, de explosão.
Em guerra morre a África,
nosso povo pai e irmão.
E é pus que verte
as tetas murchas e quebradas.
É pus,
que desmoraliza os Carpaccios,
os sorrisos,
o sistema de nações.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Curta-poema-canção Copan 28º
Câmera na testa, Copan 28º. Deitado estático, ventilador ou algo que demonstre estar filmando. 5 segundos, inspiração funda, pigarro. Move a câmera, ficando de pé. Mostra uma agitação de amigos, em volta. Agitados, mas como se não produzissem som. Pego a direita, venho do sofá cinza, corredor, passos. Atravesso a cozinha, esbarro em algo, não ligo: pareço estar apertado. Pau pra fora pela braguilha, jôrro forte. Já olhando a paisagem, do alto, linda e terrível. Suspiro e solto os primeiros saudosos versos do “Frevo número dois de Recife”. Sob a percussão do mijo na água embalo o restante, até o fim. Na volta no corredor silêncio e passos. Os amigos continuam agitados e em off. Volto para posição anterior e vem a Bethânia rasgando o frevo! O Único ruído do mundo é um “Frevo número dois de Recife”. Olho para os amigos, volto para posição. E sobem os créditos.
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