quinta-feira, 10 de março de 2011

Lugar incomum

Ocupar os lugares comum
Entorná-los comum.
Incomudá-los.
Mundar os lugarescomum
Excomungá-los.

Que a palavra “crítica”
Volte a ser raio e trovão.
E a palavra “amor”
Silêncio.

Fortuna, riqueza, valor
Imprescindíveis palavras
Dispam-se de toda usurpação e pobreza.

Que abraço seja abraço,
perdão perdão
miséria miséria.

Que a palavra relativo
Volte a ser transitiva indireta
Não absoluta.

Que nunca se perca o rebolado sacana
Ou a cor amarga e cêca que tém todas as palavras
Como o furdunço ou a morte.

Mancomunemos-nos lugarescomum.


quarta-feira, 2 de março de 2011

Fazer-se da Classe Operária

                                               E.P. Thompson com Manoel de Barros

 A classe
se ensimesma
quando
se em si
faz.

terça-feira, 1 de março de 2011

Conselho de meiofío

À moda do Caso do Vestido do Carlos maior


Ao homem completo e frio e conformado,
perguntou o incompleto e venturoso homem e humilde?

 – Quede sonhos de criança?
Quede loucas aventuras?
Quede passos no escuro?
Quede tórridos amores?
Quede marcas no joelho?
Quede alguém a te esperar?
Quede ternura?
Quede desespero?
Quede nu e fantasia?
Quede os piores tormentos?
Quede noites em claro?
Quede surras e fracassos?
Quede ternura? Quede Ternura?

Sem mais,
entediado,
dando as costas,
já caminhava, pedregoso e completo, o homem.
Enquanto o outro,
sorria ternamente,
sentado no meiofío.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Amargôce o que era doce ou Poema de véspera


O que era riso
Zangôce.
O que era tanto
Apocôce.
O que era abraço
Afastôce.

O que nem era
Tornôce.

Amargôce
O que era doce.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A que ri

Que barômetros
que medidas
que compassos
podem medir o embalo,
os enleios,
do riso da moça que ri?

Quantos mistérios
quantos naufrágios
quantos tesouros
esconde a moça ali?




P.S. Se eu pudesse
        eu passava duas tardes,
inteirinhas,
        pescando sorrisos da moça
        e caindo de beijo encima.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sobre o medo


A Torquato Neto


São infinitas as direções
E mesmo os nortes são muitos.

Bifurcações
Encruzilhadas

De qualquer forma
Caminharemos pouco.

Quantas Cidades?
Quantos amores?

Apenas.

O medo é o principal inimigo dos viajantes.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Reveillon


Qual é a idade das montanhas?
Dos tempos?
Os relógios são as fezes do tempo.
O Reveillon suas muletas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Música da música

Os acordes maiores
São como o ar idiota das flores.

Os acordes menores com sexta,
Se entre si,
Intercalados,
Soam suspense.

Lá e mi,
São bons à toa de dizer.

As diminutas,
De tom e meio e meio e tom,
Se repetem,
Secretamente.

Os acordes
Setimononados
Raiam outros acordes.

A palavra música
É menos musical que
Music.
Já, musical é mais que
Musical.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Saudade?


Se eles somem
e vão;
nos dessobedecem.
Se se perdem pela mãos.
Desaparecem,
no espelho,
na poeira,
quando nós também insistimos em partir.

Dessa perda,
Fonte e motivo verdadeiro desse descaminho insistente,
desse sempre fazer amigos e amores
que a humanidade vem repetindo desde sempre:
medo da saudade?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pecado

“Pecado?!?,
Pecado é roubar e não poder carregar.”
Três corações que eu roubei caíram do balaio.
Sem concerto.

domingo, 14 de novembro de 2010

África

De diarréia e inanição.
De AIDS e solidão,
morre a África.
Morre de colonização.

Em guerra morre a África,
nosso povo pai e irmão.

De Apartheid e ONGs,
morrem os pretos,
da peste negra da fome.
Morrem de minas
de diamante, de explosão.

Em guerra morre a África,
nosso povo pai e irmão.

E é pus que verte
as tetas murchas e quebradas.
É pus,
que desmoraliza os Carpaccios,
os sorrisos,
o sistema de nações.